Stray Kids chega ao Rock in Rio em meio ao crescimento do K-pop e reacende o debate sobre o valor de viver a música presencialmente.
Se o nome Stray Kids ainda não faz parte da sua playlist, talvez seja uma questão de tempo.
O grupo sul-coreano está entre os grandes nomes do K-pop atual e conquistou fãs em diferentes partes do mundo.
Formado pela JYP Entertainment em 2017, o octeto reúne Bang Chan, Lee Know, Changbin, Hyunjin, Han, Felix, Seungmin e I.N.
A estreia oficial aconteceu em 2018. Desde então, o grupo ampliou sua presença na indústria musical internacional. Sua sonoridade mistura K-pop com elementos de hip-hop, rock, música eletrônica e outros estilos.
As apresentações também têm papel importante nessa trajetória. Coreografias, efeitos visuais e a energia dos integrantes ajudam a criar uma experiência que vai além das músicas.
Outro diferencial está na participação dos próprios integrantes no processo criativo. Eles contribuem para a composição e produção das canções. Assim, construíram uma identidade artística reconhecida pelos fãs.
Entre os sucessos estão “God’s Menu”, “Thunderous”, “MANIAC” e “Back Door”.
Porém, o tamanho dessa popularidade fica ainda mais evidente diante dos fãs.
Em abril de 2025, o grupo fez três shows no Brasil durante a turnê “dominATE”.
Foram duas apresentações em São Paulo e uma no Rio de Janeiro. Ao todo, 175 mil fãs acompanharam os três espetáculos.
Com esse resultado, a turnê estabeleceu um recorde de público para um show de K-pop no país.
Agora, o grupo retorna para um desafio ainda maior.
STRAY KIDS NO PALCO PRINCIPAL
Em 11 de setembro, o Stray Kids será o headliner do Palco Mundo do Rock in Rio.
A apresentação será histórica: pela primeira vez, um grupo de K-pop ocupará essa posição no evento brasileiro. Além disso, a dia marca a estreia do genero no festival, com Stray Kids, HWASA e NEXZ entre as atrações do Palco Mundo.
A escolha do Stray Kids acompanha uma transformação que já mudou a indústria musical.
O K-pop deixou de ser um fenômeno concentrado na Coreia do Sul. Hoje, seus artistas ocupam grandes palcos e mobilizam públicos internacionais.
No Brasil, os números ajudam a explicar esse crescimento.
Segundo levantamento do Google Trends divulgado pela Billboard Brasil, o Stray Kids é a atração do Rock in Rio 2026 mais buscada no país.
No período, as buscas pelo festival cresceram 120% nos 30 dias anteriores ao levantamento. Na última semana, o aumento chegou a 30%.
Portanto, o interesse pelo grupo não parece ser apenas uma onda passageira.
UM FESTIVAL QUE APRENDEU A MUDAR
Quando o Rock in Rio nasceu, em 1985, o cenário musical era completamente diferente.
A primeira edição teve dez dias de programação e reuniu grandes nomes internacionais, como Queen, Iron Maiden, AC/DC, Rod Stewart e Ozzy Osbourne.
Ao todo, 1,38 milhão de pessoas passaram pela Cidade do Rock naquela edição.

Naquele período, não existiam redes sociais nem serviços de streaming.
Também não havia a possibilidade de assistir a um show pelo celular enquanto se estava em casa.
Quatro décadas depois, praticamente tudo mudou.
Mesmo assim, o festival continua atraindo multidões e ampliou significativamente sua diversidade musical.
Em 2026, a programação reúne nomes como Foo Fighters, Elton John, Maroon 5, Twenty One Pilots, Calvin Harris e Stray Kids.
O line-up também inclui grandes artistas brasileiros, como Gilberto Gil, Ivete Sangalo e Luísa Sonza.
Assim, o Rock in Rio passou a refletir não apenas a transformação da música, mas também a mudança nos hábitos do público.
SE PODEMOS VER TUDO, POR QUE AINDA QUEREMOS ESTAR LÁ?
Hoje, uma tela consegue colocar praticamente qualquer artista diante dos nossos olhos.
As músicas podem ser ouvidas imediatamente e repetidas quantas vezes quisermos.
Videoclipes também podem ser vistos de qualquer lugar. Enquanto isso, transmissões levam grandes shows para dentro de casa.
No caso do Rock in Rio, a edição de 2026 terá cobertura multiplataforma.
Os shows serão transmitidos pelo Globoplay, Multishow e Canal Bis. A TV Globo também exibirá conteúdos e momentos do festival.
Então, por que alguém enfrentaria trânsito, filas, cansaço e horas em pé?
Porque assistir não significa necessariamente viver a mesma experiência.
Uma transmissão registra o palco, mas não reproduz completamente a sensação de estar diante dele.
O som também ganha outra dimensão quando milhares de pessoas cantam simultaneamente.
Tudo começa antes mesmo de o artista entrar em cena.
Há também o grito coletivo, a emoção, os encontros inesperados com amigos e desconhecidos e a sensação de pertencimento.
QUANDO O PÚBLICO TAMBÉM ENTRA EM CENA
Essa relação entre público e artista faz parte da própria história do Rock in Rio.
Na primeira edição, a plateia foi iluminada durante os grandes shows.
A iniciativa foi pioneira e colocou o público também como parte visual do espetáculo.
Desde então, a tecnologia avançou muito.
Hoje, câmeras registram cada detalhe. Celulares permitem fotografar, gravar e compartilhar momentos imediatamente.
Ainda assim, nenhuma gravação consegue reproduzir exatamente a sensação de estar no meio daquela multidão.
O som dos graves pode ser sentido no corpo. As luzes ocupam o campo de visão. A multidão reage ao mesmo tempo.
Por outro lado, também existe aquilo que acontece fora do palco.
A espera, as conversas, as brincadeiras e até o cansaço fazem parte de um momento que só quem está ali consegue viver.
O PREÇO DA PRESENÇA
Entretanto, existe um aspecto que não pode ser ignorado: estar presente também custa dinheiro.
Os valores dos ingressos podem afastar muitas pessoas dos grandes festivais.
Por isso, nem todos conseguem transformar o desejo em presença.
Há quem faça contas, economize e reorganize a vida para conseguir estar ali.
Nesses casos, o ingresso representa apenas uma parte da escolha.
Existe também o esforço para chegar, permanecer e viver aquela experiência.
Talvez porque algumas experiências tenham um valor que não cabe apenas no preço.
STRAY KIDS: UMA CONEXÃO PARA ALÉM DA TELA
O caso do Stray Kids torna essa discussão ainda mais interessante.
O grupo cresceu em um ambiente no qual a internet teve papel importante na aproximação com fãs de diferentes países.
As redes ajudaram músicas, coreografias e performances a atravessarem fronteiras.
Agora, milhares de fãs poderão deixar o ambiente digital para ocupar o mesmo espaço físico.
É uma mudança simbólica.
A tecnologia ajudou a criar essa comunidade. Porém, o encontro presencial pode transformar uma conexão construída pela internet em uma lembrança compartilhada.
No fim das contas, as telas conseguem aproximar pessoas, transmitir shows, registrar momentos e guardar memórias.
Mesmo assim, existem experiências que continuam dependendo da presença.
Uma música pode ser ouvida praticamente em qualquer lugar.
Entretanto, algumas vezes queremos estar exatamente onde ela está acontecendo.
Talvez seja por isso que, mesmo podendo assistir a quase tudo pela tela, ainda fazemos questão de estar lá.
Porque algumas experiências não querem apenas ser vistas. Querem ser vividas.

Fontes: Rock in Rio (line-up oficial e história do festival); Billboard Brasil; JYP Entertainment; Gshow.

