De grandes empresas à televisão e à música, mulheres no poder enfrentam o desafio de transformar influência em responsabilidade.
O que significa estar no poder? Quando falamos em mulheres no poder, pensamos em cargos de liderança, mas também nas escolhas que transformam realidades. Para algumas, isso significa comandar uma grande empresa. Para outras, envolve decidir quais histórias chegam à televisão, quais artistas ganham espaço ou quais caminhos uma organização seguirá.
Nesse cenário, Luiza Helena Trajano, Daniela Beyruti, Cristiane Cardoso e Marina de Oliveira representam diferentes formas de exercer liderança. Embora atuem em setores distintos, suas trajetórias permitem discutir como a autoridade se traduz em decisões e responsabilidades.
Liderança em diferentes cenários
Luiza Helena Trajano é um dos nomes mais conhecidos do empresariado brasileiro. Presidente do conselho de administração do Magazine Luiza, participou da expansão de um negócio familiar que se tornou uma grande rede de varejo. Paralelamente, preside o Grupo Mulheres do Brasil, que mobiliza a sociedade em torno de questões sociais.

Sua trajetória permite discutir outra dimensão do poder: a capacidade de influenciar resultados empresariais e oportunidades para trabalhadores e comunidades. Assim, sua atuação também permite refletir sobre a relação entre liderança empresarial e participação social.
Na televisão, Daniela Beyruti ocupa a presidência do SBT. Filha de Silvio Santos, assumiu a responsabilidade de conduzir a emissora e dar continuidade a um legado construído ao longo de décadas. A empresa também conta com o SBT News, canal dedicado ao jornalismo, exigindo decisões estratégicas constantes sobre os rumos do negócio.

Por sua vez, Cristiane Cardoso, filha de Edir Macedo, destaca-se como autora de séries e novelas da Record, incluindo produções bíblicas. Sua atuação permite discutir como escolhas narrativas e editoriais influenciam as histórias apresentadas ao público, diferenciando o poder de criação cultural do papel de gestão estritamente corporativa.

No segmento musical, Marina de Oliveira está à frente da MK Music, gravadora que integra um importante grupo de comunicação. Como presidente da empresa, atua no desenvolvimento de artistas, investimentos em repertório e na adaptação às transformações da indústria musical — um trabalho cujos resultados refletem a articulação de toda uma equipe.

Apesar de atuarem em áreas distintas, essas mulheres ocupam posições nas quais decisões empresariais, editoriais e artísticas produzem efeitos além de suas próprias trajetórias. Seus caminhos até a liderança, contudo, são diferentes, assim como as atribuições de cada cargo.
Algumas construíram suas carreiras em empresas familiares; outras assumiram responsabilidades em organizações consolidadas. Por essa razão, compreender suas funções exige observar decisões e atribuições concretas, não apenas sobrenomes ou cargos.
Mulheres no poder: influência e responsabilidade
Ter autoridade não significa apenas ocupar uma posição de prestígio. Na prática, significa responder pelas escolhas, estabelecer prioridades e lidar com consequências que afetam outras pessoas.
Em uma empresa, isso pode envolver empregos, condições de trabalho e estratégias de crescimento. No ambiente televisivo, inclui conteúdos, investimentos e oportunidades profissionais. Já na música, passa pelo desenvolvimento de artistas e pela abertura de caminhos para novos talentos.
Por isso, discutir mulheres no poder exige ir além dos títulos. É necessário compreender as responsabilidades de cada uma e identificar quais decisões estão sob sua autoridade, distinguindo resultados individuais daqueles construídos coletivamente.
Entretanto, o poder não se limita ao ambiente profissional. Para algumas mulheres, a realização passa pela construção de uma vida familiar significativa, pelo cultivo de relações saudáveis e pela conciliação de responsabilidades. Para outras, as prioridades são diferentes. Em outras palavras, não existe uma fórmula única para definir o sucesso.
Uma mulher pode desejar crescer profissionalmente e, simultaneamente, dedicar tempo à família. Pode assumir grandes responsabilidades no trabalho sem abrir mão dos vínculos afetivos que considera essenciais. Essas possibilidades, contudo, devem resultar de escolhas pessoais, e não de expectativas impostas às mulheres.
Acima de tudo, exercer o próprio poder significa participar das decisões sobre a própria vida, estabelecer limites e escolher o que realmente importa.
Por que ainda precisamos falar sobre mulheres no poder?
A presença feminina na liderança empresarial ainda enfrenta barreiras. Segundo levantamento do Evermonte Institute publicado pela Forbes Brasil em julho de 2026, mulheres ocupavam 5,2% dos cargos de CEO no Brasil, em um universo de 2.153 empresas analisadas.
Embora a conquista de espaço seja importante, ampliar as oportunidades para outras mulheres também faz parte dessa discussão. Nesse sentido, a liderança ganha dimensão coletiva quando ajuda a abrir caminhos profissionais.
A atuação de Luiza Helena Trajano, por exemplo, conecta-se à mobilização social promovida pelo Grupo Mulheres do Brasil. Já nos setores de comunicação e entretenimento, decisões empresariais e editoriais ajudam a definir quais conteúdos chegam ao público e quais profissionais encontram oportunidades.
Isso não significa, contudo, afirmar que mulheres lideram necessariamente melhor ou pior do que homens. O objetivo é garantir oportunidades reais de participação nas decisões, sem permitir que expectativas externas determinem o lugar feminino.
Em última análise, o poder não se resume ao cargo, à influência ou ao reconhecimento público. Ele aparece na maneira como cada mulher exerce suas responsabilidades, estabelece prioridades e faz escolhas coerentes com seus valores.
Conquistar espaço é importante. Igualmente essencial é ter liberdade para decidir como utilizá-lo e quais caminhos seguir. Afinal, autonomia também é uma forma de poder.
Fontes: MK Music; SBT News; Record; Grupo Mulheres do Brasil; Forbes Brasil.

