Do pega-pega aos jogos digitais, as formas de brincar se transformaram, mas a imaginação continua fazendo parte da infância.
As brincadeiras antigas e atuais revelam como a infância mudou com o tempo. Do pega-pega aos jogos digitais, passando pelos desenhos animados e programas infantis, cada geração encontra suas próprias formas de diversão. Embora os hábitos tenham se transformado, a curiosidade e a vontade de descobrir o mundo continuam presentes.
Brincadeiras antigas e atuais: do quintal às telas
Durante décadas, muitas crianças encontravam diversão nas ruas, nos quintais e nas praças. Amarelinha, esconde-esconde, pega-pega, pular corda e bolinha de gude ocupavam as horas livres. Com poucos recursos, a criatividade transformava objetos simples em brinquedos e espaços comuns em cenários de aventura.

Naquele ambiente, reunir os amigos era parte da diversão. As próprias crianças inventavam regras, organizavam equipes e resolviam desentendimentos para manter a brincadeira. Essas experiências permitiam ainda aprender a compartilhar, lidar com frustrações e respeitar combinações feitas em grupo.
Bonecas, carrinhos, jogos de tabuleiro, gibis e coleções de figurinhas completavam esse universo. Cada objeto oferecia possibilidades diferentes, das histórias inventadas às disputas entre colegas.
Com a popularização dos dispositivos eletrônicos, o entretenimento ganhou novos formatos. Jogos digitais, aplicativos e plataformas interativas passaram a oferecer experiências que podem incluir amigos distantes, desafios e mundos virtuais.
As brincadeiras tradicionais, por sua vez, não desapareceram. Elas continuam presentes em famílias, escolas e espaços públicos, mas as oportunidades variam conforme a rotina, a segurança do bairro e as condições de cada comunidade.
Brincadeiras antigas e atuais: a televisão também mudou
Os desenhos animados e os programas infantis ajudam igualmente a contar essa história. Para quem cresceu nas décadas de 1980 e 1990, as manhãs diante da televisão guardam lembranças de atrações que marcaram época.
O Balão Mágico, o Xou da Xuxa e a TV Colosso reuniam músicas, personagens, brincadeiras e desenhos. Figuras como Fofão também conquistaram espaço na imaginação infantil. Essas atrações inspiravam conversas na escola e brincadeiras longe da televisão.
Naquela época, acompanhar um programa dependia dos horários das emissoras. Consequentemente, quem perdesse um episódio nem sempre poderia assisti-lo novamente. Esperar pela atração e comentar o que havia acontecido no dia anterior faziam parte da experiência compartilhada.
Atualmente, plataformas digitais oferecem desenhos, séries e vídeos em diferentes horários. Dessa forma, as crianças podem escolher conteúdos, repetir episódios e conhecer personagens de vários países.

A mudança está na forma de acessar o entretenimento. O público deixou de depender exclusivamente da programação televisiva e passou a encontrar opções sob demanda, distribuídas entre diferentes telas e serviços.
O que as brincadeiras ensinam às crianças?
A transformação da infância também está relacionada aos espaços disponíveis para brincar. Em reportagem publicada em março de 2026, o Correio Braziliense abordou como a organização das cidades, o medo e a falta de locais seguros limitam as brincadeiras ao ar livre.
A questão, portanto, não se resume à preferência das crianças por dispositivos eletrônicos. O ambiente em que elas vivem também influencia suas oportunidades de correr, explorar e encontrar outras crianças.
Já a National Geographic Brasil discutiu, em outubro de 2025, dificuldades motoras relatadas por educadores nos Estados Unidos e possíveis relações com as mudanças nos hábitos infantis, incluindo o uso de telas. A reportagem aborda habilidades cotidianas, como manusear lápis, utilizar tesouras e abotoar roupas.
Esses aspectos merecem atenção, mas não permitem atribuir todas as dificuldades infantis à tecnologia. Isso ocorre porque o desenvolvimento depende de diferentes fatores, incluindo experiências práticas, movimento e oportunidades adequadas a cada idade.
Para entender melhor essa presença digital, vale observar os números. A TIC Kids Online Brasil 2025, pesquisa do Cetic.br, mostrou que 92% das crianças e dos adolescentes brasileiros de 9 a 17 anos são usuários de internet, o equivalente a 24,5 milhões de pessoas.
Nesse sentido, uma revisão sistemática publicada em 2026 na Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano analisou 15 estudos com 552.172 crianças e adolescentes brasileiros. Os resultados associaram o brincar ao ar livre, a presença de quintais nas residências e a existência de pátios ou playgrounds nas escolas a níveis mais altos de movimento e atividade física.
Como registro histórico, uma reportagem do Terra publicada em 2014 mostrou escolas resgatando atividades como amarelinha, passa-anel e pular corda. A iniciativa ilustrava uma tentativa de preservar essas práticas no ambiente escolar.
O que permanece na infância?
Apesar das mudanças, brincar continua sendo uma maneira de explorar o mundo, expressar sentimentos e descobrir interesses. As ferramentas se renovaram, mas a imaginação não pertence a uma época específica.
A escolha não precisa ser entre tradição e tecnologia, famílias e educadores podem buscar equilíbrio. Jogos digitais podem conviver com atividades físicas, enquanto encontros presenciais oferecem oportunidades de interação e experiências compartilhadas.
Uma partida de esconde-esconde, um desenho feito à mão ou uma brincadeira inventada em conjunto proporcionam vivências diferentes das oferecidas por um dispositivo eletrônico. O importante é garantir variedade de experiências, respeitando a idade e as necessidades de cada criança.
No Dia das Crianças, pais, avós e filhos podem trocar lembranças, apresentar suas brincadeiras favoritas e experimentar novas formas de diversão. Esse intercâmbio permite que as gerações compartilhem histórias sem exigir que a infância atual reproduza os hábitos do passado.
Ao longo das gerações, as experiências da infância continuam importantes para o desenvolvimento de cada pessoa. Entre as brincadeiras tradicionais e os recursos digitais, o desafio é oferecer oportunidades variadas para que as crianças desenvolvam habilidades, aprendam a conviver e descubram o mundo ao seu redor.
Afinal, a infância não constrói apenas as lembranças de amanhã, mas também parte dos caminhos que cada pessoa levará para a vida adulta.
Fontes: Correio Braziliense; National Geographic Brasil; Terra; Cetic.br; Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano; Memória Globo.

