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Paul McCartney relembra crise após o fim dos Beatles

Cantor relata período de dificuldades emocionais, consumo excessivo de álcool e como o apoio da família e a criação do Wings ajudaram em sua recuperação.

Paul McCartney relembrou uma das fases mais difíceis de sua vida após o fim dos Beatles, em 1970. O cantor enfrentou uma crise emocional, começou a consumir bebidas alcoólicas e precisou encontrar novos caminhos profissionais. Além disso, o músico destacou a importância do apoio familiar para superar as dificuldades e reconstruir sua carreira.

Paul McCartney enfrentou dificuldades após o fim dos Beatles

Aos 84 anos, Paul McCartney comparou o encerramento das atividades da banda à perda de seu único emprego. Afinal, os Beatles haviam sido sua principal atividade profissional durante grande parte da juventude. Com a separação, ele precisou encontrar novas perspectivas e descobrir como seguir na música sem John Lennon, George Harrison e Ringo Starr.

Durante uma conversa com o diretor Judd Apatow, após uma exibição especial do documentário Paul McCartney: Man on the Run, em Los Angeles, o artista falou abertamente sobre os sentimentos que enfrentou naquela época. Na ocasião, ele explicou o impacto que a dissolução do grupo teve em sua identidade profissional.

“O que você faz depois dos Beatles? Os Beatles terminaram, esse foi o único trabalho que você teve e, então, você não o tem mais. É como se tivesse sido demitido”, disse.

Durante o diálogo, Apatow sugeriu que o músico havia passado por uma espécie de colapso mental após o encerramento da banda. Paul McCartney concordou com a avaliação e revelou que começou a consumir bebidas alcoólicas enquanto tentava lidar com a nova realidade.

“Eu comecei a beber. Estava sozinho na Escócia, com uma pequena família recém-formada. Ninguém ia me repreender por beber demais”, afirmou. “Foi muito divertido até deixar de ser.”

McCarteney/Wikipedia

Apoio da família ajudou Paul McCartney a superar a crise

Naquele período, Paul McCartney estava na Escócia, afastado do ambiente musical que conhecia e vivendo com sua família, ainda em formação. Nesse contexto, o isolamento e a falta de compromissos profissionais contribuíram para as dificuldades que enfrentou. Entretanto, o apoio das pessoas mais próximas foi fundamental para superar aquela fase.

Sua esposa, Linda McCartney, e os filhos tiveram uma participação importante durante o processo. A convivência familiar ajudou o artista a enfrentar as incertezas e a recuperar a motivação para continuar trabalhando. Linda permaneceu casada com o músico até sua morte, em 1998, e também participou de uma importante transformação em sua carreira.

Em 1971, Paul McCartney fundou o Wings, banda que contou com a participação de Linda e se tornou uma parte significativa de sua trajetória artística. O grupo permaneceu em atividade até 1981 e permitiu que o cantor explorasse novas possibilidades musicais. Dessa maneira, ele conseguiu construir uma identidade profissional diferente daquela que havia desenvolvido com os Beatles.

Paul McCartney buscou uma nova identidade musical

Entretanto, iniciar um novo grupo não foi uma tarefa simples. Paul McCartney precisava lidar com as expectativas do público, que o associava diretamente ao sucesso da antiga banda. Ao mesmo tempo, não queria reproduzir exatamente a fórmula que havia consolidado sua fama mundial.

Por esse motivo, o músico tomou decisões que refletiam seu desejo de independência artística. No início da trajetória do Wings, chegou a evitar a inclusão de músicas dos Beatles em suas apresentações. Assim, buscava construir uma identidade própria e demonstrar que poderia seguir um caminho diferente na indústria musical.

“Ficar sozinho foi muito assustador, porque eu sempre tive a união do grupo. Mas aí eu tive que descobrir como faria isso e tornar diferente”, afirmou.

Foto: Getty Images

Paul McCartney relembra relação com John Lennon

Além das dificuldades profissionais, a separação também provocou conflitos pessoais entre os integrantes da antiga banda. Paul McCartney destacou as desavenças que teve com John Lennon, especialmente durante o período posterior ao fim dos Beatles. Naquela época, os dois trocaram críticas públicas e provocações, que ganharam destaque na imprensa.

Apesar dos desentendimentos, o cantor ressaltou que seus sentimentos pelo antigo parceiro permaneceram os mesmos. A amizade construída desde a adolescência continuou sendo importante, mesmo diante das divergências que surgiram ao longo dos anos.

“Eu amava John, amo até hoje e sempre vou amar. Não importava, como não importou, o que ele dissesse ou fizesse, porque eu o conhecia desde os 15 anos”, afirmou.

Dessa forma, as lembranças de Paul McCartney mostram como o fim dos Beatles representou mais do que uma mudança profissional. O período também trouxe desafios emocionais, dificuldades de adaptação e a necessidade de reconstruir sua identidade como artista. Com o apoio da família e a criação do Wings, o músico conseguiu estabelecer uma nova etapa de sua carreira, mantendo sua ligação com a música e com as experiências que marcaram sua trajetória.

Foto: Reprodução/Wikimedia Commons
Laura Gwyer
Laura Gwyer
Laura Gwyer é apaixonada por cultura pop, literatura e cultura no geral. Antenada em tudo o que acontece no universo do entretenimento, expressa seus pensamentos através da escrita em publicações em sua coluna na Revista Amiga. Contato: laura@revistaamiga.com.br
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