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Ryan Fidelis e os novos caminhos do R&B brasileiro

O que é R&B, por que o gênero musical ganhou força no Brasil e como Ryan Fidelis ajuda a contar essa história.

Você certamente já ouviu R&B, mesmo que não saiba reconhecer o estilo musical.

A sigla foi criada nos Estados Unidos (Rhythm and Blues), misturando diferentes tradições da música negra. Com o passar dos anos, o gênero se transformou, incorporou novas influências e assumiu outros contornos.

No Brasil, essa história ganhou características próprias.

Nomes como Cassiano, Tim Maia, Hyldon e Sandra de Sá aproximaram a soul music e o R&B da música brasileira.

Com o tempo, essas influências ajudaram a abrir espaço para novos artistas e diferentes sonoridades.

Embora Rio de Janeiro e São Paulo tenham ocupado lugares importantes nessa história, outras regiões também tiveram papel no desenvolvimento da música negra.

Atualmente, artistas de diferentes estados incorporam suas próprias referências ao R&B, criando novas formas de expressão do gênero pelo país.

Por isso, a história do R&B é marcada por encontros entre artistas, referências e diferentes contextos.

É natural que essa transformação dialogue com a nossa língua, cultura, referências e experiências. Assim, o gênero pode ganhar diferentes formas sem precisar seguir uma única fórmula.

Uma nova geração ganha espaço

Novos nomes mostram como o R&B brasileiro ampliou suas vozes e direções. Entre eles, estão Liniker, Os Garotin, Luccas Carlos, Hodari e Bela Maria.

É nesse cenário que Ryan Fidelis começa a chamar atenção. Aos 21 anos, o músico de Florianópolis mistura influências e busca uma sonoridade própria.

Em 2025, no início da carreira, o cantor lançou o EP Noir e o álbum ALMA, produzido por ele mesmo em seu quarto. O disco alcançou 1 milhão de plays orgânicos no ano.

Em seguida, para celebrar as marcas alcançadas, lançou o minidocumentário “ALMA: Decifrando A Linguagem do Meu Âmago”, no qual conta os detalhes do seu processo criativo.

No mesmo período, ele venceu como Produtor do Ano no Prêmio R&B Brasil. Em 2026, lançou Tons de Marrom, álbum com doze faixas e uma mistura de R&B, pop e brasilidade. Além disso, o artista integrou o Billboard Descobre, projeto da Billboard Brasil que apresenta novos talentos da música.

Como resultado, as duas produções ultrapassaram juntas 6 milhões de streams nas plataformas digitais.

Ryan Fidelis durante o processo de criação do album Alma

Quando tudo vira música

Ele cresceu em uma casa onde a música sempre esteve presente.

Seu pai, Sandro Fidelis, ex-vocalista do grupo de pagode Swing Maneiro, continua tocando e cantando, com projetos voltados ao samba.

Nesse ambiente, Ryan cresceu frequentando os shows do pai, enquanto as rodas musicais também faziam parte da rotina da família.

Desde muito cedo, Ryan demonstrou interesse pelo violão e começou a fazer aulas por vontade própria.

De acordo com a mãe, Sharlini, a vontade de aprender era tanta que ele iniciou os estudos antes mesmo de ser alfabetizado.

Hoje, o R&B ocupa um lugar central nessa trajetória.

Para o músico, essa linguagem permite reunir diferentes influências e fazer com que experiências distintas se encontrem.

“Pra mim, o R&B é um lugar que eu consigo juntar todas minhas fontes de musicalidade, enfim, referências que eu cresci escutando e juntar num lugar só”, conta o artista.

A fala ajuda a entender uma característica importante do gênero: sua identidade não precisa estar presa a uma única fórmula.

O que o Brasil acrescenta?

Uma das forças do R&B brasileiro atual está justamente nessa mistura.

As referências de origem permanecem presentes, mas ganham novas características em cada lugar.

O catarinense acredita que a brasilidade faz diferença nessa construção.

Para ele, trazer elementos da nossa cultura também ajuda o público a se reconhecer na música.

“É pegar algo que é de fora, originalmente, e fazer de um jeito nosso. Um jeito meu, mas de uma forma mais coletiva também”, explica Ryan.

A proposta, portanto, não é abandonar a origem do gênero, mas transformar essa herança a partir das experiências de quem vive e produz no Brasil.

R&B além da sigla

Ryan também procura ampliar a compreensão do público sobre essa linguagem musical. Ele chama esse processo de letramento musical.

Para o artista, isso passa por mostrar que o R&B é um gênero americano influenciado pelo jazz e pelo blues e que também passou por diferentes transformações.

Entre os nomes citados pelo jovem artista, estão Delacruz e Ludmilla.

Já no cenário internacional, ele lembra GIVĒON, Daniel Caesar, SZA e Frank Ocean.

Para o compositor, o R&B é um espaço para reunir diferentes elementos musicais e experiências.

Ainda há muito para mostrar

Ao falar sobre o que o público ainda não viu, o artista demonstra consciência de que sua carreira está apenas começando.

“Mas sinto que ainda mostrei muito pouco do que eu tenho de ideias e faces que eu ainda quero mostrar pro público”, pontua o produtor.

Apesar dos acontecimentos importantes na carreira, ele acredita que ainda existem muitas fases pela frente.

“Tudo isso é só um primeiro lado artístico meu. Ainda vão ter várias eras, várias fases que vão me mostrar por completo”, projeta Ryan.

A fala reforça a disposição do artista para experimentar novas direções.

Conheça Ryan Fidelis

Se fosse preciso escolher uma música para apresentar seu trabalho, “Seu mundo” é a escolhida.

Por ser dançante e alegre, ela também revela outras possibilidades do artista.

“Foi uma música que fiz pensando no que eu queria escutar”, recorda Ryan.

A faixa funciona quase como uma apresentação pessoal.

“Ó, esse sou eu!”, resume Ryan.

A escolha oferece uma porta de entrada para conhecer melhor sua identidade artística.

Por fim, o R&B brasileiro continua trilhando novos caminhos, e Ryan Fidelis ajuda a mostrar como essa linguagem ganha novas expressões no país.

Divulgação

Fontes: Billboard Brasil; Rádio Nacional; Musicalidade e Spotify; Entrevistas exclusivas

Luciana Furlan
Luciana Furlan
Luciana Furlan é jornalista, atuou como apresentadora do Sportv por 7 anos e teve passagens pela Record TV, SBT e Premiere Combate. Contato: luciana@revistaamiga.com.br
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