Atriz fala sobre falta de oportunidades para mulheres maduras e revela como a versatilidade ajuda a manter sua carreira ativa.
A atriz Isadora Ribeiro abriu o jogo sobre o etarismo na televisão. Para ela, mulheres maduras ainda enfrentam dificuldades para encontrar espaço no mercado audiovisual.
Durante a entrevista para repórter Helena Strada, Isadora destacou que existe uma diferença clara entre homens e mulheres quando o assunto é envelhecimento. Segundo a atriz, a aparência masculina costuma receber menos cobranças.
“Sinceramente, tem pouco espaços para nós, para atrizes da nossa idade, se for homem, pode ser barrigudo, pode ser careca, pode ser com o rosto derretido, não tem problema nenhum.”
Na avaliação de Isadora, os homens conseguem envelhecer diante das câmeras sem precisar esconder tantas características naturais. Já as mulheres acabam enfrentando uma pressão maior para manter uma aparência jovem.
Essa cobrança não se limita apenas aos papéis oferecidos na televisão. A questão também envolve os padrões de beleza que acompanham as profissionais ao longo da carreira.

Isadora fala sobre os cuidados com a aparência
Apesar da pressão existente no meio artístico, Isadora afirmou que escolheu lidar com o envelhecimento de maneira natural. A atriz contou que não costuma recorrer a procedimentos estéticos para transformar sua aparência.
“Eu tenho sorte de ser natural, de não usar procedimentos e etc., só cuido, faço estimulação de colágeno, tomo bastante agua.”
Isadora explicou que mantém alguns cuidados pessoais, mas não coloca a estética como prioridade. Para ela, o mais importante é preservar o bem-estar e ter qualidade de vida.
“Eu não ligo muito pra isso não. Eu cuido mais da qualidade de vida.”
A declaração também mostra uma postura diferente da pressão que muitas mulheres enfrentam. Em vez de tentar atender a um padrão específico, Isadora prefere concentrar sua atenção em outros aspectos da própria vida. Além disso, a atriz não vê a idade como algo que precise ser escondido. Sua fala acompanha uma discussão que ganhou força nos últimos anos sobre a permanência de mulheres maduras no audiovisual.
Isadora encontrou alternativas dentro da carreira
Embora reconheça a existência do preconceito, Isadora afirma que sua trajetória profissional ajudou a reduzir o impacto desse problema em sua vida. A atriz atribui isso à variedade de atividades que desenvolve.
“Existe, realmente, esse preconceito. Eu não sofro isso porque sou uma atriz versátil.”
Ao longo da carreira, Isadora construiu uma atuação que vai além da televisão. A artista também trabalha com produção e outras áreas relacionadas à cultura e ao entretenimento. Essa diversidade permite que ela tenha diferentes possibilidades profissionais. Assim, quando uma área apresenta menos oportunidades, outras atividades podem abrir novos caminhos.
“Eu sou produtora, sou negociante de artes, sou dubladora, sou cantora, então, eu sempre arrumo uma forma de trabalhar e estou fazendo várias coisas ao mesmo tempo.”
A estratégia também mostra uma mudança na maneira de construir uma carreira artística. Para Isadora, continuar trabalhando não depende exclusivamente de estar em uma novela ou em uma produção televisiva. A própria trajetória da atriz reúne trabalhos em diferentes momentos da televisão brasileira. Ela ficou conhecida nacionalmente pela abertura do Fantástico e também participou de produções como Tieta, Pedra sobre Pedra e Mulheres de Areia.
Nos últimos anos, Isadora também passou a destacar outros projetos profissionais. Dessa maneira, sua carreira ganhou novas frentes além da televisão.

Etarismo ainda limita oportunidades
A discussão levantada por Isadora também coloca em evidência uma questão maior. Mulheres maduras ainda podem encontrar dificuldades para conseguir personagens e manter uma presença constante na televisão. Enquanto isso, atores homens costumam permanecer em diferentes produções mesmo depois de envelhecer. Para eles, características como cabelos brancos, calvície ou mudanças no corpo nem sempre representam uma barreira profissional.
No caso das mulheres, porém, a idade pode vir acompanhada de uma cobrança estética mais intensa. Por isso, a fala de Isadora questiona não apenas a falta de oportunidades, mas também os critérios usados para avaliar essas profissionais. O tema também envolve a forma como a televisão representa diferentes fases da vida. Afinal, mulheres maduras fazem parte do público e também podem ocupar personagens relevantes nas produções.
Nesse contexto, a experiência de Isadora reforça a importância de ampliar os espaços para profissionais de diferentes idades. Afinal, o envelhecimento também faz parte da realidade de quem acompanha novelas, filmes, séries e outras produções.
Mais do que discutir aparência, o debate envolve oportunidades. Mulheres maduras continuam tendo experiência, talento e capacidade para interpretar personagens de diferentes perfis.

Isadora aposta na versatilidade
A escolha de atuar em várias áreas aparece, portanto, como uma característica importante da carreira de Isadora. Em vez de depender exclusivamente dos convites para televisão, ela encontrou outras formas de permanecer ativa. Essa postura também permite que a atriz explore diferentes talentos. Ao mesmo tempo, amplia sua participação no mercado artístico e reduz a dependência de um único tipo de trabalho.
Isadora mostra, assim, que a maturidade não precisa representar o fim de uma trajetória profissional. Pelo contrário, pode abrir espaço para novas experiências e projetos. A declaração da atriz também ajuda a trazer para o debate uma realidade enfrentada por muitas profissionais. Para ela, ainda é necessário avançar para que mulheres maduras tenham mais oportunidades diante das câmeras.
Por fim, Isadora deixa claro que não pretende resumir sua carreira à aparência. Ao investir em diferentes atividades, ela continua encontrando maneiras de trabalhar e seguir presente no meio artístico.

